Esse rodeio todo foi para introduzir uma surpresa muito agradável: A Passeio, o segundo álbum dos Porcas Bornoletas. Tudo bem, é praticamente consenso que Um Carinho com os Dentes, o primeiro CD, de 2005, já era bastante bom, assim como a banda já era reconhecida como um dos melhores shows do circuito. Mas algo – que nem sempre acontece, mesmo com as melhores bandas – aconteceu com eles, desta vez. Um perfeito ajuste entre um repertório inspirado, uma execução vigorosa e um crescente domínio da linguagem de estúdio, ao lado de um produtor sagaz. Ou seja, se eu citei antes todos esses nomes, foi para concluir: Porcas Borboletas faz bonito, no meio dessa geração sensacional.
Porque em 2009? Bom, foi-se o tempo nelsonrodrigueano em que o óbvio ululava. De uns tempos (décadas?) pra cá, vínhamos tendo que implorar para que alguém fizesse logo o que seria de se esperar – se o Brasil fosse normal. Juntar o que a MPB e o rock têm de melhor, por exemplo. Escrever boas letras em português (não por nada em especial, é só porque é a língua que falamos). Temperar o cinismo que a inteligência aconselha com algum afeto pelas coisas boas da vida. Cuidar mais dos arranjos e instrumentações (não por nada em especial, é só porque a música tem maravilhosas possibilidades). Gozar com o que é sério em excesso, mas sem confundir o hoje infame rótulo “irreverência” com um salvo-conduto para a babaquice. Enfim, coisas: juntar porcas com borboletas, se não era pedir demais. Demorou.E eis que em Uberlândia – o fenômeno Fora do Eixo inventando mais uma fonte inesperada – seis malucos sensatos fizeram isso. Dizem que mineiro é come-quieto. Pois estes mineiros comeram quase toda a inteligência musical e poética que passou por perto. Se o ditado “diga-me com quem andas” ainda faz algum sentido, que tal um álbum – de rock! – que junta Arrigo e Paulo Barnabé, Bocato, Arthur de Faria, o já citado Junio, o produtor Alfredo Bello/ DJ Tudo, Simone Sou e Marcelo Jeneci? Com uma letra de Clarah Averbuck de quebra? E uma vagaba interpretada por Leandra Leal?
O melhor é que ninguém está lá só pra deixar a ficha técnica “mais sexy”, como dizem os ingleses – por mais que seja sexy mesmo. Ele(a)s estão lá porque os Porcas Borboletas dialogam com isso tudo: música brasileira, poesia instantânea, intervenções caprichadas de cordas e sopros, berreiro surrealista, andamentos tensos, momentos delicados, dissonâncias inquietantes, pop deslavado. Enfim, coisas. Na verdade entregaram mais do que o pedido. Só ouvindo pra entender.

Estréia em versão beta, no dia 22/02 próximo, segunda-feira, o portal de música e cultura Nagulha. Iniciativa quer ser referência para a informação e discussão sobre a nova música jovem produzida no Brasil.
Na história da música pop, as publicações sempre jogaram um papel fundamental na consolidação de nomes e tendências. Mas a crise da indústria fonográfica e o avanço da internet mudaram drasticamente o cenário na última década. As publicações em papel (incluindo os cadernos culturais dos grandes jornais e revistas) sofrem com a perda de anunciantes, ao mesmo tempo em que seu cada vez menor espaço editorial não consegue dar conta de um cenário progressivamente mais horizontalizado, acelerado e diverso. Ou seja, um momento de crise comercial mas, principalmente, de grande exuberância cultural.
É essa riqueza de produção, o surgimento de bandas e artistas muito promissores vindos de todas as localidades, mesmo (ou principalmente) de regiões sem muita tradição na música e na cultura pop, como o norte e o centro-oeste, que só uma revista eletrônica como o Nagulha pode abordar com consistência.
O editor executivo do Nagulha, Anderson Foca, aproveita sua experiência à frente do site Do Sol, ligado ao festival e à casa noturna do mesmo nome, para desenvolver ferramentas como a ágil cobertura audiovisual dos shows e festivais mais empolgantes, gravações exclusivas em áudio e outras novidades, otimizando na cobertura os recursos tecnológicos disponíveis.
Foca recrutou em Natal o webmaster e jornalista Marlos Ápyus para desenvolver o site. Na frente editorial, foram escolhidos dois nomes expressivos: os jornalistas de música Alex Antunes e Bruno Nogueira. O paulista Alex é veterano de publicações musicais e culturais, tendo passado como editor ou crítico pela Bizz, Rolling Stone, General, Folha Ilustrada, Veja e outras. O pernambucano Bruno é da nova geração, doutorando na área de música e redes sociais, e vem escrevendo para veículos importantes do Nordeste e acompanhando de perto a produção independente.
Financiador inicial da iniciativa, o circuito Fora do Eixo espera do Nagulha uma interface entre a enorme movimentação da cena independente, com seus festivais, coletivos e bandas de crescente reconhecimento, e um enorme público novo a ser conquistado no país. “Essa é a nova música brasileira”, diz Pablo Capilé, do Espaço Cubo de Cuiabá e da direção nacional do circuito. “Já passamos a fase de consolidação da rede independente. Agora o importante é conquistar com essas novíssimas expressões artísticas as lacunas que a crise da indústria fonográfica e da grande mídia deixaram”.
Serviço:
Lançamento do Portal Nagulha
Data: 22 de fevereiro, segunda-feira, meio-dia
Endereço: www.nagulha.com.br
Amanhã, por voltas das 22h quem gosta de boa música em Sorocaba tem um destino, acontece que a banda instrumental que ganhou nada mais, nada menos que o título de melhor cd de 2009 pela revista Rolling Stone estará por aqui, sim o Macaco Bong cola pra esses lados fazendo um rock dos bons no Asteroid Bar. Além de figurar regularmente na MTV a banda tem um contato estreito com o Espaço Cubo e o Circuito Fora do Eixo, sendo, além de músicos geniais grandes pensadores do mercado independente.
“Macaco Bong é um power trio de Cuiabá (MT), nascido em
No currículo dos caras tem Festival Terra; concorreram ao Video Music Brasil (MTV) 2009, na categoria instrumental; figuraram diversas listas de melhores discos e melhores shows de 2009
Bom, o que quer que seja escrito aqui é pura explanação sobre algo que deve ser sentido e não colocado em consciência, façamos o seguinte: vamos todos lá no Asteroid Bar no dia 20/02, Sábado (vulgo: Amanhã) às 22hs e tirar as próprias conclusões.
O pré-evento em toda sua divulgação e correria foi estressante, mas possível fisicamente, apesar de momentos acharmos que teríamos um aneurisma de tanta informação e compromisso, 'God Save The Google Docs!' Repetíamos ao preencher nossa planilha de tarefas! Eis que chega o grande dia, a manhã já começa atribulada, era um ouvido no telefone com a Secult e outro na Cruzeiro FM ouvindo o Douglas e Rodrigo falar do Grito e do Coletivo. Logo tive de ir trabalhar, coisa que pretendo não precisar ano que vem, o restante da equipe foi ao local recepcionar a GP Som e Luz com o, adivinhe, o som e a luz (aliás, QUE som e QUE luz!), montar nosso bar, comprar as bebidas e correr com mais uma infinidade de coisas que só quem ta lá no dia sabe que aparece.
A hora chega, as bandas chegam e a galera chega, chega e não para de chegar, no primeiro dia já recebemos no recinto mais público que nos 2 dias do ano passado, mais ou menos 700 pessoas andaram, ouviram e interagiram com o Grito Rock Sorocaba. Geradores a postos o INI dá o chute inicial, a noite rola, parece que foram minutos, lembro de flashs foi tudo muito intenso, a Avesso em peso com o plano de conscientização de não dirigir alcoolizado que, sinceramente, foi o mais criativo que já vi até hoje, creio que não sou o mais indicado para fazer uma descrição pormenorizada dos shows mas lembro muito bem da energia que saltava do palco com o Nevilton botando abaixo o patrimônio da cidade.
No segundo dia já calejados fomos mais ágeis na montagem de tudo, a tempo de receber a galera do Vincebuz, Aeromoças e Tenistas Russas, The Almighty Devildogs, Isis do Coletivo Enxame (Bauru) e Felipe do Massa (Sanca). Tudo começa na segunda noite logo de início percebemos que atravessaríamos as expectativas mais uma vez, logo a cerveja não seria o bastante de novo! Com o Carlão dando uma mão na sonorização e Felipe ajudando na transmissão conseguimos suprir isso que (infelizmente) acabou passando batido na primeira noite, o Aldren deu seu corre e fez as vezes de anfitrião, junto à Bia que entrevistava a galera e enquanto a Bea Rodrigues e o Rafa Côvre clicavam geral em meio à outros flashs. Nessa noite tivemos mais de 1000 pessoas no festival, mais de 1000 pessoas que experimentaram música independente e mais de 1000 pessoas que tomaram contato (talvez pela 1ª vez) com a possibilidade de criar algo novo, de fugir dos moldes e de nascer para uma liberdade de criação.
Só temos a agradecer a todos o envolvidos no festival, que fizeram a parada crescer e muito: Ana, Terike, Marinês, Heavy, Moisa, Egon, Klari, Michele, Rái, Carlão, Felipe Altenfelder (Massa Coletiva), Isis (Enxame Coletivo), Circuito Fora do Eixo, Abrafin, Toque no Brasil, Asteroid Bar, Avesso, Bem Hur Salgados, A2 Instrumentos Musicais, Anhanguera Educacional, GP Som e Luz , Secretaria da Cultura de Sorocaba e a toda a galera que correu com a gente, que fotografou, filmou, e quis interagir de alguma forma com o evento. Podemos fazer mais, por favor, nos mandem o material que vocês tem (fotos, vídeos, etc...) vamos fazer isso tudo circular pelo país e difundir Sorocaba como um ponto de passagem/criação da música independente, nos mandem tudo e, logicamente, daremos todos os créditos: ari_holtz@rockalive.com.br
Ajudem-nos a forrar esse blog de Fotos e Vídeos!
No domingo, já com o dia claro dormimos todos com dor nas costas, cansados, porém com a certeza que nossa missão estava cumprida... (por enquanto...)
O Rái, rápido no gatilho já colocou algo no fotolog dele e, sem vergonha na cara estou copiando aqui:
“É muito sangue pros caras da Rock Alive fazerem o evento, nem sempre com todo amparo e toda estrutura que precisam, correm atrás e fizeram acontecer na cidade mais uma vez, com um grande diferencial: Eles não são grandes empresários e não são super-patrocinados. São apenas cidadãos que estão se mechendo e somando forças para um objetivo em comum, e realmente nesta neste momento é que o rock está rolando de igual pra igual, sem arrogância, sem palhaçada, sem joguinhos ou tretinhas desnecessárias. Ali é um dando a mão para o outro.
Parabéns ao Douglas, Ari, Ricardo, Aldren e todos os envolvidos”
Abraço a todos e até breve!
O Sábado começou ansioso, o ônibus rumo a São caetano sairia às 9hs e acordar antes das 10:30 de Sábado é pra dias especiais! Bom, era por um motivo consistente e, como ja disse, estava ansioso! Ônibus lotado até São Paulo, o fone de ouvido me salvou mais uma vez... Já cheguei perdido em São Caetano, com a orgnização que não me é característica ,não tinha endereço para encontrar a sede do Cidadão do Mundo. Fui então ao Cyber Cefé mais próximo e um acesso ao e-mail me deu o endereço a seguir, o bom senso me deu esperança e o Google Maps me deu a certeza, estava no cyber na rua Santa catarina e o Cidadão do Mundo fica na rua Rio Grande do Sul, 2 esquinas e 50 passos depois estava em frente ao espaço do coletivo anfitrião desse encontro.
Sede do Cidadão do Mundo
De cara ja fica-se impressionado com a estrutura do Cidadão do Mundo, uma casa de show super aconchegante que também é um grande estúdio, logo conheci do Pajé, o cara que comanda os consoles do estúdio/shows logo percebi que a correria começara ja para o ABC do Som, um back line de encher os olhos e um line up responsa esperavam pra encher a noite, mas calma tinha muito a acontecer até lá. Piti chega com a energia que quem ja correu com um festival sabe qual é, altamente receptiva a galera de lá, atenção o tempo todo. Com o Pajé conheço a sala técnica do estúdio e a sala de gravação de vocal, onde também fica a web rádio rolando, sou apresentado à todo o processo de gravação e finalização das coletâneas do ABC pro som, bandas fantásticas que estão no corre, algumas iniciando e outras consagradas. Destaque para a Nhocuné Soul (Coletânea MPB e outros Grooves) e a banda Bufalo (Coletânea Instrumental & Tal).
Logo chegaram os outros coletivos e com algum atraso estávamos todos reunidos para iniciarmos as discussões, foram então colocadas as pautas, as necessidades, vicissitudes e especialidades de cada coletivo. Logo pensei com meus botões o quão rico seria se arrumassemos parceiros aqui em Sorocaba que articulassem com outras vertentes de expressão artística como teatro, audiovisual, artes plásticas, literatura, tecnologia e etc*... Bom, nossa parceria com a AVESSO entra nesse viés, mas calma ae, isso é assunto para um post próximo... Estava no 'módulo esponja', como diz o Douglas do Guerrilha GiG (Franca), querendo conhecer tudo... O próprio Guerrilha em sua atuação no Software Livre o MCI (São José) apostando na multiculturalidade, entre outros.
Felipe Altenfelder - Massa Coletiva - Regional Sudeste(SP)
Era noite, passamos tempo discutindo e nada mais justo que curtíssemos o Festival ABC do Rock, voltamos à sede do Cidadão e curtimos ver a casa lotada, conheci os caras do Aeromoças e Tenistas Russas e percebi a ansiedade dos caras por palco, estão na pilha de vir pra cá, todos acessíveis e gente boa. A balada terminou cedo e após o show da Seycheles rumamos aos nossos dormitórios pra encarar um segundo dia de discussão, Douglas (Guerrilha GIG - Franca), Rafael (Enxame Coletivo - Bauru) e eu. A noite de sono foi providencial e no domingo, após um café da manhã farto, rumamos novamente à casa do cidadão onde nos encontraríamos com o Felipe e o restante da turma dos coletivos. Dessa vez a reunião foi num espaço da prefeitura que abriga um centro esportivo, biblioteca, pista de skate e salas de cursos, uma das quais estava reservada pra nós. O papo agora era formalizar uma rota de circulação para o Festival Fora do Eixo nas cidades alí representadas. A busca também é diminuir os day-offs das turnês e trabalhar, em cada cidade, um dia da semana para se fazer rodar as bandas, esse inclusive é o diferencial do Quique (Cardápio Underground - Bragança) que é o cara que faz show de segunda feira na cidade, além dessa inusitada diferença a todo momento eramos surpreendido com alguma história da passagem do Leptospirose (Banda a qual faz parte) pera Europa e de como funciona a circulação por lá, muito rico... Na verdade, quem quiser ouvir alguma dessas histórias pode abordar o cara aqui no Grito Rock Sorocaba, afinal o brother estará por aqui com a Leptospirose, OK. Agenda feita, posso adiantar que Sorocaba tem 1 data em Março, 2 datas Abril e 2 em Maio para a passagem de algumas bandas da Agência Fora do Eixo na cidade, parcerias estão sendo findadas para que aloquemos essa demanada no melhor espaço possível, mas aguardem que vem show bom por aí!!
Mais uma vez rumamos ao ABC do Som, dessa vez seriamos brindados com o show do Aeromoças, o qual estava doido pra ver e uma sequência punk pra ninguém botar defeito com Inocentes e Cólera. Acontece que nesse dia o ABC do Som monta uma estrutra na rua, em frente à sede, fecha a rua e o show acontece alí ao relento, tinha tudo pra dar certo um back line fantástico e um line up de peso, porém, heis que o mal que aflinge o sudeste nesses tempos aparece, começa a chuva e não qualquer chuvinha não, uma tempestade que fez a galera do som correr com agua na canela pra tirar a aparelhagem que estava ficando debaixo d'água. O refúgio foi a sede e lá ficam entre quedas de energia e o barulho do vento veredando a rua em frente, infelizmente não seria dessa vez que veria o show do Aeromoças, a passagem de som só abriu o apetite pro Grito Rock Sorocaba. Quando a chuva diminuiu aproveitei para despedir da galera e correr à estação pegar o trem e busão rumo sorocaba, cansado, molhado e com a cabeça cheia de idéias!
*Continuamos aceitando provocações.
Esse ano a gente havia programado as inscrições pro grito até dia 5 de janeiro, mas por conta do lançamento do portal Toque no Brasil acabamos prorrogando até dia 15 de janeiro.Vieram inscrições de todo o Brasil, como nos anos anteriores tivemos muito trabalho para definir o line up do evento.
Os critérios para escolha são vários, e , acreditem, a gente nunca fica 100% satisfeito.
O principal critério utilizado é a gente bater o olho no nome da banda e lembrar do caminho que ela trilhou.
A gente pesquisa muito, ouve muita coisa do independente e temos muito relacionamento com bandas de todo o Brasil, por conta do Circuito Fora do Eixo, no qual nosso coletivo está inserido.
Teremos bandas que já se apresentaram na primeira edição do Grito Rock Sorocaba, caso de The Biggs, Fast Food Brazil e Volpina, que inclusive fez sua última apresentação no GRS 2008 e agora retoma suas atividades 2 anos depois no mesmo festival. Pra gente é uma honra.
Das 16 bandas do palco principal 10 são de fora. Estamos apostando alto na circulação e intercâmbio de conhecimento. Leptospirose, Aeromoças e Tenistas Russas, Narcotic Love e Maquiladora são alguns dos nomes que vão se apresentar em vários Grito Rock, entre eles o nosso.
O Projeto Gerador que já é uma realidade em Sorocaba repete o feito de 2009, dessa vez com apresentações de 2 bandas em cada um dos dias do evento, tudo ligado nos geradores. Na sexta temos INI e Monstruário e no sábado Vincebuz e Iansã.
Banca de Vinil dos nosso amigos Rái e Clanderson, stand da Tentáculos com as camisetas mais rock da cidade, além de peças vintage exclusivas, banquinha Fora do Eixo com material das bandas do circuito, cervejinha gelada e pastelzinho de feira pra manter a carcaça em pé.
Tem muita gente dando uma puta força, além de todos os parceiros que colaboraram vinculando as marcas de suas empresas ao GRS, esse ano teremos uma jornalista e um fotógrafo exclusivos do evento, respectivamente Bia Guimarães e Guilherme Ramos.
Pra finalizar coloco um situação que aconteceu não uma, mas várias vezes esse ano. Pessoal de banda vindo procurar a gente bem depois do final do prazo de inscrição perguntando se ainda dava pra participar do evento.
Querem saber ?
Claro que dá !!!!
Compareça, prestigie o trabalhos das bandas, leve seu cd, "venda seu peixe", troque informações e experiências, cole na gente da organização e aproveite tudo que um festival desse pode te oferecer.
Tocar é apenas uma das diversas formas de participar.
O Rapaz da foto acima nos provocou.
Calma, vamos explicar.
Guilherme Ramos é um jovem fotógrafo aqui de Sorocaba, que nos procurou via orkut com uma abordagem bem simples e sincera:
"Eae beleza!? Então gostaria de saber se vocês ja tem algum fotógrafo pro evento!? Gostaria muito de fotografar o evento! Se vocês quiserem ver um pouco do meu trabalho: http://flickr.com/guifakefeelin
A resposta é que de uma forma voluntária ele será o fotógrafo oficial do Grito Rock Sorocaba 2010, e por isso a gente só tem a agradecer ele e todo mundo que de uma forma ou de outra nos procura querendo ajudar.
O Grito Rock América do Sul como todos sabem (ou não..rsrs) é um evento que rola esse ano em 70 cidades da América do Sul, e todos os realizadores "conversam" entre si, antes, durante e depois do Grito, e só podemos garantir pro Guilherme que as fotos dele serão vistas por toda a América do Sul, toda vez que alguém procurar "Grito Rock" no flickr, no google, ou onde quer que seja, vai ver as fotos dele.
Abaixo algumas palavras dele:
"Conheci o trabalho da Rock Alive, via internet e também em alguns eventos culturais e divulgações que aconteceram na cidade. Onde estive presente, sempre achei um trabalho muito interessante.
E agora com o "Grito do Rock 2010" tive a oportunidade de ter um contato maior,
e teremos uma parceria em que irei ser o Fotógrafo Oficial do evento, é um prazer
fazer parte desse evento tão importante que acontece na cidade de Sorocaba e em toda a América do Sul.
Espero participar desse e de muitos outros eventos."
Guilherme, parabéns por nos provocar e muito obrigado por fazer parte da equipe Grito Rock Sorocaba 2010, e pra quem quiser conferir o trabalho dele seguem algumas fotos feitas pelo nosso fotógrafo oficial:
Cique em qualquer uma das fotos e visite o Flickr do Guilherme.

E esse texto vem para acompanhar nosso novo logo, com uma nova nomenclatura e findar nossa nova visão... O Coletivo Cultural Rock Alive toma forma. Aproveitamos para pedir que, como fez Maurício, nos provoquem e nos busquem, queremos pessoas com vontade de trabalhar!
Grito Rock Sorocaba 2010
Em sua terceira edição, o Grito Rock Sorocaba acontece nos dias 12 e 13 de fevereiro na Usina Cultural Municipal e tem algumas novidades bem bacanas em relação às 2 edições anteriores, faremos uma arrecadação de alimentos e a entrada será franca.
Os que quiserem concorrer ao sorteio de prêmios, podem trocar
Nos 2 dias de festival vai rolar After Show Free no Asteroid Bar, que fica na Rua Aparecida 737, basta apresentar o carimbo comprovando que estava no Grito. Válido após as 3h da manhã.
A entrada é franca, mas levem grana, pois vai rolar Stand da Tentáculos, Banca de Vinil, Banquinha Fora do Eixo e muitas coisas legais.
Bandas:
Segue Line Up dos 2 dias de evento com as bandas e horário das apresentações:
Sexta – 12/02
03:00 Fast Food
02:00 Leptospirose (Bragança Paulista/SP)
01:00 Os Pontas (Sorocaba/SP)
00:00 Narcotic Love (São Paulo/SP)
23:00 Maquiladora (Suzano/SP)
22:00 AtariFM (Sorocaba/SP)
21:00 Nevilton (Umuarama/PR)
20:00 Chimpanzé Clube Trio (São Paulo/SP)
Sábado – 13/02
03:00 The Biggs (Sorocaba/SP)
02:00 Aeromoças e Tenistas Russas (São Carlos/SP)
01:00 Volpina (Sorocaba/SP)
00:00 Circo Motel (São Paulo/Sp)
23:00 Del-O-Max (Campinas/SP)
22:00 Esbórnia (Sorocaba/SP)
21:00 The Almighty Devildogs (Bauru/SP)
20:00 Creme Crakers (Rio de Janeiro/RJ)
Vinheta:
Parceiros sem os quais nada disso seria possível:
Oferecimento:
Patrocínio:
Realização:
Parceiros Estratégicos:
Apoio Cultural:
Prefeitura Municipal de Sorocaba
Apoio:
Um ótimo festival à todos.
Equipe Rock Alive - Ari, Aldren, Douglas e Rodrigo
Pablo Capilé tentou tirar férias no Nordeste, não sem esquecer os compromissos com os coletivos, e, vá lá, conseguiu. Porque reunião a beira-mar comendo camarão não é para qualquer um. Pablo está entre os cabeças do Circuito Fora do Eixo, ABRAFIN, Cubo e outras iniciativas que tentam pôr a música independente cada vez mais em evidência. Promovendo festivais, palestras, criação de coletivos municipais, estaduais, regionais e nacionais. Grupos organizados em prol da produção e circulação da música e, porque não, outras artes pelo país a fora. Ações que reverberam até fora do Brasil. Entre meio cigarro e outro, O Inimigo bateu um papo com Pablo na casa de Anderson Foca e Ana Morena, onde ele esteve hospedado, sobre coletivos, feiras de música, festivais e outros assuntos que interessam quem gosta de música e, principalmente, quem quer se inserir no mercado mutante-independente.
O Inimigo – Com suas constantes viagens e contato com os coletivos, como está a interligação entre eles?
Pablo Capilé – Tem estado cada vez melhor. A gente está indo agora para o quarto ano do Circuito Fora do Eixo. Os primeiros dois anos e meio foram de estímulo para entenderem que hoje o ambiente associativo é muito favorável a construção de novos modelos de negócio. E também para um novo negócio de distribuição de renda, distribuição dos bens culturais e etc. Até 2008 todo mundo que era entusiasta da Rede era do Circuito Fora do Eixo. A partir de 2009 nós começamos a delimitar pontos em cada cidade, construir as regionais, os Fora do Eixo estaduais, estabelecer regimento interno, carta de princípios. Então isso vem fazendo com que os debates se nivelem. Tanto os coletivos mais antigos, quanto os mais novos, participam da mesma inteligência que conseguem fazer com que as pessoas troquem tecnologia. Então essa troca tem ficado cada vez mais interessante porque os coletivos estão mais antenados, mais preparados e maduros para enfrentar esse desafio. A gente está muito entusiasmado porque hoje conseguimos ser a rede de maior musculatura nacional. A gente está em praticamente 90% dos estados do Brasil e estamos agora em 44 cidades.
A grande dificuldade de colocar os coletivos pra frente é que muitos dos envolvidos tem a música como atividade secundária?
Com certeza. A gente trabalha na perspectiva de estimular as pessoas a entenderem que quanto mais força de trabalho elas destinarem ao trabalho alternativo, aos coletivos, mais rápido elas vão conseguir ter um retorno. Então a grande maioria dos coletivos começa como um trampo complementar. Com o tempo elas vão conseguindo entender mais o processo e se dedicar mais aquilo. Começa o coletivo com 8, 10 pessoas, aí percebem que podem diminuir para 4, 5. Dessas 4, 5, uma começa a se dedicar integralmente, aí já estimula a outra e eles começam a ver que é possível, começam a fazer eventos mais bacanas. Começa a entrar uma graninha, aí monta um estúdio de ensaio, um estudiozinho de gravação, começam a dialogar com o poder público, com a iniciativa privada. Vão percebendo que quanto mais eles se dedicarem aquilo, mais eles vão sobreviver da história. Apesar que 90% da movimentação da música independente é proveniente da classe média. Ela conseguiu nos primeiros 16, 17 anos da vida, uma estrutura que possibilitou uma escola mais bacana, comida na hora que voltava pra casa da mãe, ler mais, um jornal, mais tempo para resolver possíveis conflitos existenciais. Tudo isso já prepara mais o cara para enfrentar um desafio como esse. Porque geralmente a classe média desenvolve aquele trabalho assistencialista. Ela acaba achando que indo lá dar uma sopa, um workshop, fazer uma oficina na escola, já é um trabalho que ela está desenvolvendo na periferia. Ao invés dela entender que é muito mais bacana você compor com os grupos que já desenvolvem ações na periferia para você entrar com o que você tem de mais expertise e eles entrarem com o que tem de mais expertise, mas sabendo que eles já são dali e vão ser mais aceitos.
E está acontecendo bem pelo Brasil?
Muito bem. Tem uma outra entidade, a CUFA (Central Única das Favelas), que também trabalha nesse sentido da musculatura nacional. E a gente tem estabelecido composições muito interessantes com o movimento Hip Hop. Entendendo que eles tem o protagonismo deles dentro da comunidade e a gente pode incluí-los dentro do que a gente está fazendo. Então, por exemplo, a gente tem colocado vários grupos de Rap para circular nos festivais que a gente desenvolve. A relação construida com o poder público, a gente traz os grupos periféricos para também debater isso. A relação com os pólos de cultura, trazendo o pessoal da periferia para ocupar um espaço que a gente já ocupava, mas que eles podem ocupar até com mais eficiência. Até a própria construção das planilhas, dos sistemas, coisa que dificilmente eles tem, a gente começa a democratizar. E ao mesmo tempo eles trazem aquele sangue no olho de mudar os ambientes com a galera que está acomodada com aquilo que já está acontecendo.
Existe uma orientação para incluir determinados grupos, como os de Rap, nos festivais? Há uma conversa com os produtores?
Na verdade, a gente sempre debate o circuito de festivais. Nós temos os nossos festivais e quanto mais conseguirmos estabelecer autonomia para cada produtor de festival, sem interferência da rede, na curadoria, melhor. Porque aí você não reproduz uma lógica que a gente contesta. Então a gente tenta incluir novas linguagens. Por exemplo, eu coloco os grupos de Hip Hop no Festival Calango. E levo os jornalistas e produtores pro Calango para perceberem que está rolando uma estética diferenciada dentro da produção de Hip Hop brasileiro, para que isso aconteça de uma forma natural. Por exemplo, a gente colocou o Mamelo Sound System e Linha Dura para tocar ano passado no Calango (2008). Esse ano (2009) o Nobre já colocou o Mamelo Sound System. O Linha Dura conseguiu tocar em outros lugares, porque nós os pomos numa reunião da ABRAFIN e estavam todos os produtores lá. O cara conseguiu ver e entender que é bacana. O Contra FluxoGog também está conseguindo se inserir pelo movimento Música Para Baixar. E a galera do Hip Hop começa a ver também que existe um mercado diferenciado e que podem investir. Então o que a gente faz é estimular que os coletivos locais ligados ao Hip Hop busquem os festivais locais e mandem mais material. E aí isso vai espirrando, porque o produtor vê, o jornalista vê e se aquilo que foi apresentado é bacana, o cara vai acabar querendo levar pro festival dele. também tocou em alguns festivais. Aí o
Quando os coletivos em suas cidades vão desenvolver algum projeto, eles tem autonomia ou tem que passar pela direção nacional?
Tem autonomia total. O primeiro princípio da nossa carta de princípios é o de autonomia. No seu coletivo ninguém dá pitaco. No estadual só quem é do estado, na regional só quem é da região e na nacional todo mundo dá pitaco. Na regional Nordeste, por exemplo, nós temos como ponto de referência o Lumo Coletivo. Se a regional Sudeste não curtiu o encaminhamento, ela entra no debate com a regional Nordeste. É aberto, mas ela não pode interferir na decisão, não tem poder de voto. Mas aí nós temos os pactos nacionais. Por exemplo, todo mundo tem que fazer o Grito Rock. Todo mundo tem que ser um ponto de mídia e ponto de circulação. Todo mundo tem que ser um ponto de distribuição, isso os coletivos não podem subverter. Se a gente não tiver pelo menos esses pactos nacionais, a gente não tem o que nos transforme numa rede. Mas até esses pactos nacionais são encarados como ações sistêmicas dos coletivos. Hoje é muito bacana para um coletivo fazer o Grito Rock, lançar um CD do coletivo e distribuir em 45 cidades na banquinha que faz o evento. É muito bacana ter um blog que tem outros 45 blogs lendo e divulgando em outras cidades. Todos os pactos nacionais são extremamente interessantes para os coletivos, não tem nenhum que seja sacrifício. A gente costuma dizer que se for para ser sacrifício não faça. Se não pode assumir esse desafio é melhor ser ponto parceiro, porque nós temos também os pontos parceiros. Cada cidade tem o Ponto Fora do Eixo e tem os parceiros que são aqueles pontos que estão em processo de maturação, que ainda não conseguem assumir todas as demandas, mas que estão caminhando para que isso aconteça. Então a cada dia o sistema está mais inteligente, o tempo vai passando e estamos percebendo que dá para corrigir algumas distorções que existiam antes e é um processo mutante. Um processo numa rede como essa não pode se estagnar. Constantemente ela está se reavaliando, se repensando. A gente coloca um monte de jornalista, um monte de produtores que não acreditavam nesse modelo, então a gente coloca uma galera que também nos alfineta, que não concorda, para além da nossa autocrítica, ter mais gente falando, questionando, tentando entender para onde estamos indo.
Os coletivos começam como trabalho voluntário, mas cada um tem seus gastos. Os coletivos gerem seus lucros ou tem uma verba para destinar nacionalmente que depois é repassada para os grupos locais?
Isso é muito bacana, vou pegar o exemplo de Minas Gerais. O Goma aprovou um projeto, então esse projeto é específico do Goma. Só que o Fora do Eixo de Minas aprovou R$ 1.500.000,00 na Lei de Incentivo de Minas para vários festivais, para uma circulação só entre eles. Então essa grana vai especificamente para o Fora do Eixo Minas. Então o projeto aprovado no municipal é o coletivo que gere, se em determinado momento ele achar que deve investir em coletivos ao lado, é da autonomia dele. No estadual, o estado debate como vai ser a gestão do recurso. No regional, a região debate e no nacional, o nacional debate. Por exemplo, acabamos de aprovar um projeto de observatório Fora do Eixo que é para debater, traçar um paralelo entre o Tropicalismo e essa nova estética que tem sido produzida nos anos 2000. O que tem de similaridade, como esses movimentos vem crescendo, o movimento que é filho de outro movimento, antagônico, se está numa linha seqüencial ou não. Então como é um projeto nacional o debate é nacional.
Tudo isso está servindo para as críticas diminuírem e a palavra que ninguém gosta de ouvir, panelinha, diminuir também?
Tudo tem contribuído muito. A crítica contribui muito, o circuito contribui muito, o amadurecimento dos produtores de festivais tem contribuído muito. O amadurecimento dos artistas tem contribuído muito. O maior engajamento dos jornalistas de entender a parte da produção, de emitir opinião pesquisando outros elos da cadeia produtiva para ter mais clareza. Eu acho que o jornalista é muito importante nessa história. Eu acho que está sendo um processo de amadurecimento conjunto de um sistema nacional da música independente que envolve jornalistas, as casas, o público, os festivais, os coletivos, os selos, as produtoras, que tem mostrado com mais clareza onde nós estamos nos metendo. Então os festivais estão se abrindo cada dia mais para novas linguagens, os que não se abrem tem claro que é aquilo que eles querem. Tem uma tríade aí que delimita essa coisa da banda e do festival: o público, o jornalista e o produtor. O público satisfeito com aquilo que está vendo, o jornalista que é o juiz dessa história, e o produtor é o que tem menos poder no fim da história. Se o cara tentar emplacar uma banda dele durante um ano e ela for ruim, no outro ano não anda para lugar nenhum.
Está havendo uma reformulação em alguns festivais do número de dias, de fórmula. É uma tendência?
O contra-ataque que a gente estabeleceu para a grande indústria foi um novo modelo de negócio que é extremamente mutante. É um modelo de negócio que não se engessa nas suas convicções. Está sempre aberto a se transmutar. É um processo que entende que para se manter inteligente, entende que tem que se transmutar. Então a gente vai trabalhando pouco a pouco para entender para onde a coisa toda está indo e se transmutando para atender melhor a banda, atender melhor o público, o jornalista, até os próprios anseios. Muito mais gente está conseguindo circular, produzir eventos, gente está circulando para cobrir. Então os festivais estão entendendo isso, estão abrindo novos espaços, invadindo bares da cidade, estão fazendo mostras de música contemporânea, estão indo as praças, as escolas. Estabelecem pagamentos com vídeos, gravações, trocas de serviço com moeda complementar, tudo sempre buscando um equilíbrio entre artista, público e produtor.
Já que estamos falando de negócios, vamos falar da Feira da Música. Teve a de Fortaleza e a nacional que foi em Recife. Bruno Nogueira até comentou que o pessoal estava mais para encontrar os amigos, uma espécie de oba-oba. Foi isso mesmo? Porque entende-se que uma feira é para mostrar produtos, fechar negócios.
Eu concordo em parte com o Bruno, mas discordo na essência. Eu entendo que para você conseguir realmente estabelecer um modelo gerencial de negócios, contínuo e estruturado, a gente precisa primeiro construir alicerces poderosos. Criar um suporte que consiga dar conta desse sistema mutante por muito tempo. Nos últimos dez anos a gente saiu do processo analógico e entrou no processo digital. A gente saiu duma perspectiva de trabalho no varejo, manual. Não existia uma rede. Então o que estamos vivendo nessas feiras é a estruturação desse suporte. Como a gente vai pensar num processo continuo se a gente não tem essa rede conectada, os coletivos falando a mesma língua, se não tem os festivais pensando junto com as casas de shows, com pensando junto com as organizações dos direitos autorais, pensando junto com a Associação Brasileira de Educação Musical, pensando junto com a Associação Brasileira das Rádios Públicas, pensando junto com a Associação Brasileira das TVs Públicas? Então está se construindo um sistema estruturado para que todas essas frentes consigam dialogar. Então o negócio que está sendo feito hoje é a criação de um ambiente associativo que cria um ambiente mais favorável para se estabelecer modelos de negócio. Então não adianta fechar uma turnê se eu só vou conseguir tocar em um lugar e não vou conseguir operacionalizar mais dez shows. 2009 foi o ano que a gente criou a Rede de Música Brasil e entidades que nunca tinham sentado juntas, sentaram para discutir. Por exemplo, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) que tem a Sony, a EMI, tem as majors, nunca tinha sentado com a CUFA. O Fora do Eixo nunca tinha sentado com a ABArte (Associação Brasileira de Empresários Artísticos). Mesmo sabendo de que lado cada uma das entidades sentam, pelo menos elas estão sentando. O movimento musical priorizou nesse ano a articulação política. Então em 2010 e 2011, a gente vai viabilizar nas feiras uma série de negócios pensando principalmente no mercado.
E como fluiu esse diálogo com as majors?
Foi um diálogo muito mais interessante do que eu imaginava. Eu esperava mais resistência de ambos os lados, mas a gente viu que todo mundo está disposto a entender que não adianta tensionar apenas para um lado, senão a gente não arranja pactos comuns. É óbvio que em questões específicas, determinados movimentos acreditam naquilo e ponto. Enquanto o Fora do Eixo e o Música Para Baixar são intransigentes em relação ao jabá, outras entidades entendem que eles precisam legalizar a iniciativa. Então precisa achar um meio disso, uma revisão do direito autoral, uma repactuação com as emissoras de rádio comerciais e as públicas. Então a gente tenta escoar em outros debates que estão acontecendo no país algumas situações que não vão chegar a consenso. Eu respeito muito quem é intransigente com seus princípios, mas com as propostas e construções conjuntas, o processo de coalizão é sempre muito mais bacana.
Como você avalia o coletivo local, o Noize, em relação aos outros da região e do Brasil?
Eu acho a região Nordeste a com mais potencial do Brasil em todos os sentidos. No Nordeste estão os artistas mais bacanas do Brasil; a rota mais viável; o poder público que mais investe em cultura proporcionalmente; muitos dos jornalistas da mídia independente mais interessantes, que mais convivem no dia a dia com o cenário local, estão no Nordeste; algumas das casas mais bacanas. Então é uma tendência que alguns dos coletivos mais interessantes também estejam na região. Eu acho que o Nordeste demorou muito para analisar o próprio potencial e o tanto que poderia se conectar mais em rede. Tem iniciativas que acontecem há algum tempo como o DoSol e o Ponto CE que sempre tentaram operacionalizar em conjunto, sempre tentaram construir uma rota. Mas todo mundo sempre teve dificuldade de fazer uma integração de Alagoas. É difícil os artistas de lá circularem, é difícil ter um ponto lá sempre recebendo shows. A mesma coisa em Sergipe. O Plástico Lunar, uma banda que tem dez anos só tocou em dois festivais na vida. Mas cada vez mais o Nordeste descobre seu potencial e quanto mais os produtores dialogam, mais eles vem conseguindo mostrar para o resto do país que existem uma região onde a música é bem viável. Em 2010 Circuito Fora do Eixo terá o Nordeste como região prioritária e estratégica.
A gente sempre questiona muito porque as bandas daqui não vão mais ao Centro Oeste, ao Sudeste. Há uma pressão de vocês, do Circuito Fora do Eixo, para as bandas daqui “descerem” mais?
É um caminho conjunto. Não adianta ter a plataforma se a banda não tem força de vontade. Vamos pegar os exemplos locais, de Natal. Você pega o Camarones e o Sinks, um tempo atrás. O tempo todo tocando, articulando shows, rotas para se apresentar, chegando até aos produtores e não esperando que a coisa caísse do céu. Só que a grande parte das bandas do Nordeste ou só tocam na região ou no máximo vão até São Paulo. A dificuldade está muito mais no hábito de achar que é muito difícil, que não vai dar. Eu sempre faço essa crítica as bandas do Recife. Agora que a gente percebe o AMP circulando mais. O Sweet Fanny Adams tentando circular um pouco mais. Tem banda de Recife muito bacana, com mais tempo de estrada que o Macaco Bong, e o Macaco Bong já tocou em 23 estados. Nessa mesma perspectiva, Cuiabá também é tão longe quanto é Natal. Só que o Macaco Bong se preocupa em fazer um planejamento. Comprar passagens aéreas em promoção, acrescentar outros trabalhos além do show para sensibilizar o contratante. Muita banda ainda não saiu do sistema analógico. Se alguma banda falar que não tem condição de ser do tamanho do Macaco Bong, se mata. É uma banda muito bacana do cenário independente, mas que aqui em Natal tem público de 80 pessoas. É um público conquistado no laço. Em pegar e-mail após o show, em participar da comunidade e conversar com o público, em avisar quando vai voltar a cidade, em sempre cavar matérias bacanas, se bancar para ir a shows legais. E entender os festivais mais como mostra do que como plano de sustentabilidade financeira. Eu sou dentro da ABRAFIN um defensor de que não se deveria pagar cachê as bandas. Festival é uma mostra. É entender que uma banda só vai ter um público de 6000, 7000 pessoas em Cuiabá no Festival Calango. Se a banda não entender que o principal lastro dela é público, se mata também. Tem um exemplo forte disso que é o Cidadão Instigado. O Cidadão Instigado vai numa revista e fala que a ABRAFIN é uma máfia. Só que o Cidadão está acostumado com o padrão SESC de cachê. Aí acredita que aquilo que o SESC banca para ele, é o que ele tem que receber. Só que lá em Cuiabá o Cidadão Instigado não leva 30 pessoas. Essas 30 pessoas pagando R$ 20.0 dá R$ 600.00. E o meu festival é praticamente gratuito. Mas se pagassem R$ 20.00, dava R$ 600.00. Aí a gente triplica isso pelo valor agregado, a banda esteticamente é bacana. Então além da bilheteria, vamos dar uma triplicada nisso aí. Dá R$ 1.800,00. Só de cachê o cara me pede R$ 4.000,00. Então só de cachê saímos em um déficit de R$ 2.200,00, sem contar as passagens. Então se ele não consegue equilibrar isso, entender que o festival forma público e que para ele voltar e ter público teve que construir esse lastro, fica difícil estabelecer uma negociação.
Foi lançada a Billboard Brasil e já nas duas primeiras edições foram enfocadas algumas bandas e o mercado independente. Como vocês da ABRAFIN, do Circuito Fora do Eixo vêem isso?
A matéria-prima da música brasileira é proveniente do movimento independente. Então seria um contra-senso, até uma burrice por parte das editorias se elas não visualizassem a importância de se abrir espaço. Muitos dos jornalistas que estão nessas revistas são provenientes desses movimentos. É diferente de uma topeira, por exemplo, que nem o Sérgio Martins que é um cara que não consegue visualizar a história, que não freqüenta os festivais e ainda se acha de do alto da Veja, ficar destilando verdade. Mas, por exemplo, o José Flávio Junior que é da Bravo!, que teoricamente seria uma revista conservadora, é um dos que mais rodam o país. Um Pablo Miyazawa, Alex Antunes, Ricardo Cruz, a galera da Rolling Stone, está super antenada com o que está acontecendo. O Pedro Só, que mesmo sendo editor do Globo Esporte, escreve sobre música e na Feira Música Brasil estava empolgadíssimo com o que está acontecendo. Então estamos muito satisfeitos. E o que a gente tem a perder? A gente só tem a ganhar, assim como eles. Eu, particularmente, acho que hoje ter uma revista é ir pela contramão. O melhor modelo é transformar a revista em blog. É sair do analógico e entrar no digital. Pode até baixar o preço, mas o ideal seria a revista acabar e se transformar em blog.
Você pensa assim também sobre o disco? Acabar o meio físico, caixa, capinha, CD e ficar só virtual?
Eu acho que o CD vai continuar existindo, como as revistas, o vinil está voltando, o público vai continuar existindo. Mas é aquela história, hoje vender 3.000, 4.000 CDs é sucesso total. Então as bandas vão continuar circulando com seus EPs, seus CDs, CDs luxo. Mas cada vez mais o virtual vai tomar conta. Eu acho também que a gente ainda não entende muito bem e ainda não tem no cyber espaço que a gente tem no operacional. A gente não sabe lidar com o cyber espaço como poderia lidar. Então em um futuro próximo a internet vai ter 1 giga. Então mudará totalmente o parâmetro de tudo. Então vai ter um show do Macaco Bong sendo transmitido para 30 casas sem perda de áudio como se o cara estivesse praticamente ao vivo. É o que o Miranda muitas vezes fala, tudo vai ser streaming, não vai ter mais download porque tudo estará ali para você escutar. A televisão vai entrar no Youtube. Então qualquer previsão agora é pretensiosa.
O que você destaca de 2009 em bandas, discos, festivais…
Disco eu gostei muito do Porcas Borboletas, do EP do Rinoceronte, do Black Drawing Chalks, do material que o Calistoga tem gravado, do Plástico Lunar, do Ronei Jorge (e Os Ladrões de Bicicleta). Bandas novas que surgiram, o Mini Box Lunar, do Amapá; Caldo de Piaba, do Acre; Camarones (Orquestra Guitarrística), aqui de Natal; o Sincera, de Belém do Pará; stereovitrola, do Amapá também; Hey Hey Hey, de Rondônia; Linha Dura, de Cuiabá; Ophelia and The Tree, de Uberlândia. Entre os festivais eu acho que o Jambolada foi excelente. Não vim ao DoSol, mas a repercussão, os vídeos que eu vi e o que as bandas falaram foi muito legal. O Noise, o Calango eu sou suspeito, mas pelo segundo ano foi muito bacana. O Varadouro foi muito legal. O Porão do Rock voltou para a rua, gratuito. O Porto Musical e a Feira da Música de Fortaleza foram muito interessantes. O Burro Morto que é uma banda muito legal e que apareceu mais em 2009. O surgimento cada vez mais de coletivos é muito interessante. A criação da Rede Música Brasil. O fortalecimento das Casas Associadas e a aproximação maior das casas do Rio e de São Paulo que eram mais reticentes em relação ao movimento. 2009 foi um ano extremamente positivo para o cenário independente, para a região Nordeste foi muito positivo. Falando aqui de Natal, eu acho que é uma das cenas mais potenciais do Brasil, com mais bandas legais, que tem uma casa que funciona todos os fins de semana. E eu não vejo mais tanto antogonismo. Até 2008 quando ainda não estava claro o que era a ABRAFIN, as Casas Associadas, o Circuito Fora do Eixo, tinha mais pressão divergente. Hoje tem 80% de pontos em comum e 20% de convicções que cada um acredita, mas que não destoa muito. A gente conseguiu sair de 2009 com um grande pacto nacional em torno da música.









